Santa Luzia

No dia 1° de junho de 1919, às 18 horas e 30 minutos, foi sentido na cidade de Luziânia-GO um abalo sísmico bastante pronunciado, o qual durou alguns segundos e encheu de pânico a população de todo o município.

Anos depois, constatou-se que o fenômeno foi motivado pela queda de um enorme meteorito que atingiu o solo Santaluziano, próximo da cabeçeira do córrego Negro Morto, afluente da margem esquerda do ribeirão Paiva, na fazenda do mesmo nome, à 18 km do centro da cidade.

Em 1928 o meteorito foi doado pelo município ao Museu Nacional, onde se encontra ao lado de outro mensageiro do espaço, o lendário "Bendegó".

Durante seu transporte para o Rio de Janeiro na ponte do Corumbá, foi batizado com o nome de "Santa Luzia de Goiás" tendo como padrinhos, Dr. Antonio Americano do Brasil e Escolástica Ribeiro Roriz. Antes de chegar ao seu destino foi devidamente pesado na cidade paulista de Campinas onde foram computados 1980 kilos.

Sua dimensão é de 136x 80 x 40cm. Sua composição química 95,33% de Ferro (Fe), 2,64% de Níquel (Ni), 0,42 de Cobalto (Co), 0,39% de Fósfaro (P), 0,22% de Cobre (Cu) e 1,00% de outros elementos não identificados na época.

O movimento teve lugar na cidade do sul para o norte e a sensação foi como se a terra estivesse ondulando sob os pés do observador. As casas estalam, as garrafas dançavam nas prateleiras das lojas de molhados, os vidros das vidraças tilintaram fortemente e as pessoas que andavam pelas ruas sentiram menos o abalo dos que as pessoas que achavam em casa.

Essa convulsão de terra foi a primeira que se presenciou em Santa Luzia (hoje Luziânia), estamos informados de que apenas alguns vizinhos dão noticias desse fenômeno.

Meteorito de Santa Luzia - Foto:  "Autor desconhecido". De acordo com os apontamentos do professor GELMIRES REIS, alguns dias mais tarde veio à confirmação de que o abalo sísmico verificado naquele dia foi provado pela queda de um meteorito que caiu na fazenda Paiva (hoje, fazenda Porta do Céu) à 18 km da sede do município, o qual recebeu carinhosamente o nome de "Meteorito de Santa Luzia de Goiás", pelas autoridades locais.

 

 

OUTRA HISTORIA:

Brasília era só uma pedra fundamental fincada em Planaltina, quando Luziânia virou manchete de jornal e recebeu até um repórter e um fotógrafo do Sudeste. Tudo por causa de um meteorito encontrado numa fazenda no distante 1928.

Quem achou a pedra de quase duas toneladas de ferro foi Raimundo Florêncio Barros, o Raimundo Baiano, que campeava gado na fazenda do Paiva. Baiano viu uma pedra de cor, peso, forma, espessura e densidade incomuns. Percebeu que havia encontrado um tesouro e decidiu vendê-lo, sem dar disso notícia aos donos da terra. Recebeu uma proposta inicial de 40$3000, mas achou pouco. Fechou negócio com José Maria do Espírito Santo, que tinha o apelido de Demente e pagou 1:000$000 (um conto de réis, dinheiro pra chuchu). Baiano recebeu uma parte em dinheiro e outra em animais e cereais. E desapareceu do Goiás.

Demente só não sabia que aquele estranho pedaço de pedra, de 136 centímetros de comprimento por 80 de altura e 40 de espessura, pesasse tanto. (Mais tarde se saberia que ele é 95% ferro e tem um pouco de níquel, de cobalto, fósforo, cobre). Demente não teve tempo de carregar o precioso bem.

O intendente de Luziânia, Gelmires Reis, soube do meteorito e da venda. Depois de pedir insistentemente que lhe trouxessem um pedaço da pedra, foi ao local, munido de uma marreta. Com muito esforço, conseguiu quebrar três pedaços da estranha formação e os enviou a três endereços diferentes, um deles a Escola de Minas de Ouro Preto que, menos de dois meses depois, informou se tratar de um meteorito.

Pouco tempo depois, chegavam a Santa Luzia pesquisadores, jornalistas e curiosos. O jornalista Henrique Silva, da revista Informação Goyanna, e um repórter e um fotógrafo de O Globo fotografaram a comitiva ao lado do meteorito.
Retirado do buraco, foi levado para o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, depois de custosa disputa entre os donos da terra, o intendente e o governo do Estado que acabou decidindo doar a peça ao museu.

Desde então, o Santa Luzia é exibido como o segundo maior meteorito já identificado em terras brasileiras. O maior de todos, de 5, 3 toneladas, chama-se Bendengó, e durante uma pá de anos foi o maior em exposição em todo o mundo, segundo me contou a astrônoma Maria Elizabeth Zucolotto, do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Perdeu o posto para um encontrado na Namíbia.

Até hoje os moradores de Luziânia acreditam que o meteorito foi o responsável pelo terremoto que assustou a cidade em 1919. Mas a astrônoma diz que não. O nível de oxidação do Santa Luzia indica que ele se chocou com a Terra há milhares de anos. Não fez grandes estragos porque era de pequenas dimensões. “No máximo, abriu um buraco”.

Meteoritos são restos de corpos do sistema solar. Fragmentos que, ao se chocar com a atmosfera terrestre, vão se desintegrando em incêndios espetaculares. Quando caem no solo já perderam boa parte do poder de destruição. Aquietados, contam histórias do mundo e criam histórias no novo mundo, como essa de Santa Luzia.