Buritizal

Em 14 de agosto de 1967 uma região entre Rio Claro e Buritizal presenciou um fenomeno raro que assustou muita gente. Houve várias testemunhas na época e algumas amostras foram guardadas por um reporter. Depois de 47 anos as amostras foram finalmente levas para análise na UNESP de Rio Claro. A análise da amostra resolveu o mistério. Tratava-se de um meteorito que caiu na região.  Esse meteorito ainda não foi oficializado o nome provisório foi Buritizal devido as regras internacionais de nomenclatura onde se usa a localidade onde caiu o meteorito no nome do mesmo. Abaixo uma reportagem escrita pelo reporter Saulo Gomes sobre o evento "Fenomeno de São Simão-Buritizal"

Em 1967 eu era repórter da extinta TV Tupi de São Paulo.

Nas primeiras horas da manhã de 14 de agosto, do mesmo ano, me desloquei para a cidade de São Simão-SP, de onde vinha a notícia de que um objeto havia explodido por volta de 03,40 hs.

O fato foi testemunhado por 3 funcionários da Companhia Ferroviária Mogiana - Nelson Pereira, Antonio Pereira da Silva e Marcílio Botelho de Oliveira, que assim descreveram: "estávamos dentro do vagão (um escritório improvisado na estação Sucuri), aguardando a passagem do cargueiro das 03,40 hs quando, de repente, ouvimos uma explosão muito forte pertinho de nós e um clarão muito forte iluminou tudo, e achamos que atingiu a dois quilometros de altura;

Em minha reportagem pude documentar que os efeitos desta explosão foram vistos até 140 kms do local. Durante dias consecutivos ouvi depoimentos de motoristas de ônibus, táxis, carros particulares, negociantes, tratoristas e populares.

A narrativa, de todos, era rigorosamente igual: "explosão forte, luz intensa no céu, iluminando a área como se fosse dia.

Muitos me informaram que os faróis de seus veículos foram ofuscados pela claridade e alguns afirmaram que os seus motores "apagaram".

Em nenhum momento houve dúvida sobre a veracidade do fato.

Durante minha reportagem recebi a informação de que pedaços do objeto haviam caído numa fazenda próxima, na região, de propriedade do major médico da aeronáutica, Dr. Rubens Barbirato, falecido em maio de 2008.

O achado na fazendo do Major Barbirato e em outras cidades da região ensejou a imediata intervenção da aeronáutica e a censura foi estabelecida, pois estávamos em pleno regime militar.

Diante da informação da censura, na região, partimos para pesquisar em outros locais que não estavam sob a mira dos militares.

Dentre as cidades pesquisadas cheguei a Buritizal, que fica mais ou menos a 150 kms de São Simão, onde pedaços do objeto danificaram várias propriedades, dentre essas a farmácia do Sr. Francisco Ribeiro Soares Júnior e o estábulo da Fazenda Buritis de propriedade do Sr. Almir Cancilieri, onde constatei os estragos em sua propriedade. No mesmo local entrevistei o piloto da aviação civil, Antonio Alberto Martins (Badu), o qual confirmou os estragos naquele local.

Todos os entrevistados descreveram o fato da seguinte forma: "ouvimos um barulho muito forte, vimos um clarão muito grande, os animais ficaram muito agitados, ficamos muito assustados e, ao chegar no estábulo, vimos um buraco no chão e na parede próxima".

Neste local, depois de uma busca minuciosa, encontrei 3 pedaços de uma pedra escura, parecendo queimada pelo fogo, com medidas aproximadas: a primeira de 6 cms x 4 cms x 3 cms, a outra de 4cms x 3 cms x 2cms e uma terceira com medidas próximas a segunda, que foi entregue aos cuidados do Prof. Zanardo, da Unesp, para análise.

Na época desse fato fui informado por um delegado de São Paulo que pedaços desse estranho objeto foram entregues ao Instituto de Polícia Técnica - IPTSP,  e outros foram encaminhados à NASA, nos EEUU.

 Conservei as pedras durante 42 anos, sem nunca saber o resultado daquela pesquisa.

No final de julho, deste ano de 2009, fui procurado por João Garcia, editor do jornal"A Cidade", de Ribeirão Preto, para uma reportagem sobre o assunto que, neste mês, está fazendo 42 anos.

Após a  publicação da edição de domingo, 16 de agosto, entreguei uma das pedras ao departamento de Geologia, da Unesp, para análise.

Espero ter agora, a resposta a uma indagação de mais de 40 anos.

Na época, a TV Tupi, Rádio Difusora, Rádio Tupi, Diário da Noite e Diário de São Paulo, órgãos dos Diários Associados, deram grande destaque à matéria, que foi reproduzida por outros veículos de comunicação, no Brasil e exterior.