Santa Vitória Palmar

Uma massa de 34kg foi encontrada no dia 25 ou 26 de março de 2003 por Roberto Maciel, quando procurava por pontas de flechas indígenas nas dunas do Holoceno na orla da Lagoa Mirim. A grande pedra preta notável e apresentando distintas depressões características, fizeram suspeitar da natureza meteorítica da massa. Maciel continuou sua pesquisa e na semana seguinte encontrou duas peças menores de 4.34kg e 1.57kg.

Alguns anos antes em 25 de junho de 1997 (07:00h), um bólido brilhante acompanhado por uma forte série de trovões, deixando um rastro de fumaça preta, foi visto por muitas testemunhas, na fronteira Brasil-Uruguai. Tendo a notícia sido muito divulgada na época, inclusive nos jornais da capital. Maciel acreditava que os meteoritos teriam sido oriundos daquele bólido. Contudo sua descoberta não causou nennhum interesse da comunidade rural, que havia ficado tão interessada no evento ocorrido alguns anos antes. A única exceção foi José Maria Pereira Monzon, o curador do Museu local que se interessou, logo que tomou conhecimento da descoberta e conseguiu adquirir os dois fragmentos menores para o Museu Municipal Cel. Tancredo F. de Melle Brasil. Ele também realizou a primeira documentação sobre a localização e as cirustâncias do achado. Foi graças ao Monzon que ambas as massas foram preservadas. Infelizmente a massa principal foi desviada por um suposto "professor da Universidade do Rio Grande do Sul", que a levou para estudos, nunca realizados. Infelizmente, Maciel morreu e ninguem se lembra do nome do professor e nem mesmo da Universidade, assim não se sabe onde está o meteorito agora.

Uma nova massa de 10.45kg foi encontrada por Lurato Correa, um local caçador de fósseis, em 14 de fevereiro de 2004, enquanto prospectava fósseis, reconheceu os remaglitos e a semelhança com o meteorito encontrado por Maciel. A partir desta massa, uma amostra foi enviada para a Alemanha, e o meteorito foi analisado por Dr. Ansgar Gressshake e publicado no Meteoritical Bulletin n 90. A suposta correlação com o bólido não foi aceita.

Apresenta textura condrítica bem desenvolvida, com côndrulos bem delineados indo de arredondados a alongados. Muitos côndrulos são bordeados por troilita ou ferro-niquelífero. Os côndrulos são dispersos em uma matriz turva de mesma composição e com fragmentos menores de material condrítico.

Mineralogicamente consite de olivina, piroxênios e vidro plagioclásico. Minerais secundários com menores quantidades de troilitia, kamacita, taenita e tetratenita. Foi descrito por Zucolotto e Antonello (2008).

Apresenta côndrulos de diferentes tipos (piroxênio-radial, piroxênio, olivina e barrado criptocristalino, olivina porfirítica, pofirítica e porfirítica olivina piroxênio, olivina granular e côndrulos compostos). Os côndrulos se apresentam muito bem delineados, muitas vezes cercados por troilita numa matriz opaca tipo Huss. Os estudos mineralógicos revelam que o meteorito apresenta uma composição não equilibrada contendo principalmente olivina Fa (0.5-35.2), piroxênio Fs (0.5-31.6), com pequena qunantidade de Fe-Ni metal (kamacita, taenita e plessita) e trolita.

Com base nas características de textura e dados químicos o meteorito Santa Vitória do Palmar  é classificado como um membro dos condritos ordinários não equilibrados do grupo L. A textura dos côndruls bem defindas e a presença de material vítreo indicam um tipo petrológico 3 subtipo 3.4-3.6. Classificação de choque moderada, S3 a S4 e grau de intemperismo também moderado W1/2, indicando que este meteorito não caiu em 1997 como supunha seu descobridor.

Fonte: Meteoritos: Cofres da Nebulosa Solar, Scorzelli, Varela, Zucolotto.