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Santa Catharina (SC, Brasil )

Siderito

Ataxito não agrupado

Achado

Massa Total: 7 MT

O meteorito de Santa Catarina foi descoberto por Manoel Gonçalves Rosa em 1875 na Ilha de São Franciso do Sul. O Sr. Rosa julgando tratar-se de uma mina de ferro tirou concessão para explorá-la, tendo enviado todo o metal para a Inglatera, onde foi fundido para a extração de níquel. Uma amostra foi enviada para o Rio de Janeiro e quando foi descoberto que se tratava de um meteorito, a mina já havia sido esgotada. No livro de Rendas de São Franciso do Sul consta que sairam 25.000 Kg sendo que o bloco maior pesava 2.250kg.

Uma vez que o meteorito continha uma quantidade bem maio de níquel que os outros meteoritos e ausência de estrutura de widmanstatten, por muitos anos este meteorito foi motivo de discussão no meio científico. Devido as características do mesmo e ao alto estado de oxidação, comparavam-no ao ferro nativo de Ovifak, sendo que muitos especialistas não aceitavam sua natureza meteorítica.

O meteorito apresenta outra característica que o diferencia dos demais que era o magnetismo que no estado natural era fraco mas que aumentava consideravelmente com o aquecimento. Foi investigado por Lawrence Smith e Becherel que concluiram que a massa não poderia ter sido submetida a grande calor.

A maior massa pesava 2.56 toneladas e media 1m x 0.8m x 0.5m e inúmeros outros fragmentos menores foram recuperados, a maioria destes não passando de material alterado pelo intemperismo. O núcleo metálico preservado, quando polido e atacado por nital 1-2% fica bem escura e não mostra estrutura de widmanstatten, e nem outra estutura.

Algumas vezes escurece tanto que encobre outros detalhes. A taenita não mostra estrutura a não ser a densa presença de planos de deslizamenteo que podem ser melhores observados nos contornos de grãos.

Em amostras maiores pode-se notar que o meteorito é policristalino com grãos individuais de austenita entre 2-8cm. Os grão são separados por veios de troilita. Não apresenta kamacita a não ser como partículas menores (1-3 um) ao redor de inclusões de shreibersita, que pode ter sido transformada totalmente em produtos de oxidaçao terrestre.

A troilita é bastante comum como veios de contornos de grãos e como nódulos no interior, cobrindo de 5 a 10% da área, se apresentando bastante alterada pelo intemperismo, muitas vezes se trnasformando em pentlandita. A schreibersita se apresenta como roseta, como cristais esqueléticos ou como cristais de rabditas.

O alto teor de níquel fez com que este meteorito fosse melhor estudada a taenita e diversas fases associadas a ela como tetratenita, fase ordenada Fe-Ni 50%-50% e a antitaenita (Ni <=30%). As análises químicas dão 35.3% Ni, 0.2% P, 1.8 S, 5.4 ppm Ga, 9.6 ppm Ge, 0.02ppm Ir (Buchwald 1975). 33.62% Ni, 5.3 ppm Ga, 9.1 ppm Ge, 0.02 ppm Ir (Wasson e Schaudy 1971), não permitindo incluí-lo em nenhum grupo químico.

O meteorito de Santa Catharina é um meteorito ataxito, D, anômalo com uma idade terrestre bem avançada, policristalino.

 

Fonte: Meteoritos: Cofres da Nebulosa Solar, Scorzelli, Varela, Zucolotto.

Fatia 26.75g

 Procedência: New England Meteoritical Services

Fatia 32.6g
Fatia 2.241g

 Nódulo de grafite

Individual 94.6 g
Individual 84.7g

Siderito

Assim como os acondritos, os sideritos são provenientes de corpos parentais cuja matéria primordial sofreu diferenciação. Este material, originário da nebulosa que formou o sistema solar e presente nos meteoritos condritos, sofreu a ação gravitacional ao longo de bilhões de anos dando origem a todos os corpos que conhecemos hoje no sistema solar como o sol, planetas, asteróides, etc. Os sideritos são meteoritos provenientes do núcleo desses corpos parentais onde o material mais pesado se concentrou como o Ferro e Níquel. Apesar de haver um grande número de meteoritos ferrosos já catalogados, a grande maioria não teve a sua queda observada. Somente uma pequena parcela das quedas observadas corresponde a meteoritos sideritos, a grande maioria é representada pelos condritos. Levando-se a conclusão que os meteoritos ferrosos são relativamente mais raros que os rochosos em nosso sistema solar.

Uma vez em ambiente terrestre, os meteoritos ferrosos sofrem menos desgaste que os condritos e, desta maneira, ainda podem ser encontrados após milhares de anos de sua queda. Os condritos, por sua vez, rapidamente sofrem a ação da atmosfera e rapidamente passam a ser confundidos com rochas terrestres e sua descoberta se torna cada vez mais difícil. Desta maneira, temos registros que achados de meteoritos ferrosos de milhares de anos e vários relacionados a grandes crateras como Canyon Diablo no Arizona com cerca de 1200 metros diâmetro e 50.000 anos. Encontramos inúmeros outros exemplos de grandes achados com várias toneladas como o Campo Del Cielo na Argentina ou Gibeon na Namíbia. Devido também a sua alta resistência, os meteoritos ferrosos estão entre os maiores já conhecido, pois são mais resistentes a reentrada na atmosfera terrestre. O maior foi é o Hoba West, localizado na Namíbia com 6 toneladas. O maior meteorito encontrado no Brasil é o Bendengó com 5.3 toneladas e se encontra hoje no Museu Nacional, RJ.
Outro fator que ajuda no trabalho de busca dos meteoritos ferrosos é sua alta atratividade a imãs e ótima resposta a detectores de metais. Detectores de metais são extensamente utilizados em trabalhos de busca de meteoritos e não apresentam uma boa resposta em meteoritos rochosos.
Os meteoritos ferrosos são constituídos basicamente de uma liga ferro-níquel e uma pequena quantidade de outros elementos como germânio, gálio, ósmio e irídio que, por serem elementos pesados, se concentraram na região do núcleo do corpo parental.
Há duas metodologias de classificação para os meteoritos ferrosos, a mais antiga e tradicional é através do estudo da estrutura e proporção do metal níquel na liga ferro-níquel. Para tanto, bastava realizar o polimento de uma porção do material, realizar o tratamento com ácido nítrico e verificar que tipo de estrutura ficaria evidente. Com base nessa estrutura o meteorito recebia a sua devida classificação como Hexaedrito, Octaedrito ou Ataxito. Mais recentemente outro método baseado no estudo químico ou quantitativo de elementos como irídio e gálio em igual proporção de níquel passou a ser empregado. Desta classificação surgiram as seguintes classificações num total de 14 grupos diferentes: IAB, IC, IIAB, IIC, IID, IIE, IIF, IIG, IIIAB, IIICD, IIIE, IIIF, IVA, IVB. Além desses grupos uma pequena parcela ainda não foi agrupada recebendo esta mesma denominação.
Uma interessante relação entre esses dois tipos de classificações também foi observada e relacionada na seguinte tabela:

Classe estrutural
Símbolo
Camacita [mm]
Níquel
[%]
Grupo químico relacionado
Hexaedritos
H
> 50
4.5 – 6.5
IIAB, IIG
 Octaedrito Muito Grosseiro
Ogg
3.3 – 50
6.5 – 7.2
IIAB, IIG
Octaedrito Grosseiro
Og
1.3 – 3.3
6.5 – 8.5
IAB, IC, IIE, IIIAB, IIIE
Octaedrito Médio
Om
0.5 – 1.3
7.4 – 10
IAB, IID, IIE, IIIAB, IIIF
Octaedrito Fino
Of
0.2 – 0.5
7.8 – 13
IID, IIICD, IIIF, IVA
Octaedrito Muito Fino
Off
< 0.2
7.8 – 13
IIC, IIICD
Octaedrito Plessítico
Opl
< 0.2
9.2 – 18
IIC, IIF
Ataxito
D
-
> 16
IIF, IVB

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Antes de descrever cada tipo estrutura, vale alguns comentários em relação à principal liga ferro-níquel, constituinte deste tipo de meteorito. Os dois principais tipos desta liga encontrados em meteoritos ferrosos são a kamacita e tenita. A formação de uma determinada liga de ferro-níquel no núcleo do corpo parental vai depender da proporção de níquel presente na liga ferro-níquel, da temperatura e velocidade de resfriamento. Se a proporção de níquel na liga ferro-níquel for baixa, entre 4.5 e 6.5 %, a liga resultante será a kamacita. Se a proporção de níquel for alta como 30% ou mais em relação ao ferro, teremos somente a formação da tenita. Como a proporção de níquel num meteorito ferroso está situada entre 6 a 13%, encontramos as ligas formadas somente de kamacita, somente de tenita e uma mistura das duas ligas.
Octaedritos (O): Tipo mais comum de siderito exibindo a famosa figura de Widmanstätten quando polido e tratado com ácido nítrico. É composto por uma mistura de kamacita e tenita interligados. A interligação espacial entre a kamacita e tenita se dá na forma de um octaedro, dando o nome de octaedrito a esse grupo. O espaço entre as placas de kamacita e tenita são preenchidos por uma fina mistura granular de kamacita e tenita chamada Plessita (preenchimento em Grego). Os Octaedritos são novamente classificados de acordo com a espessura da camada de kamacita na figura de Widmanstätten.
Hexaedritos (H): Tipo formado essencialmente por kamacita. O nome hexaedrito se fere a rede cristalina onde esta liga é formada. A rede cristalina tem formato cúbico com seis lados iguais e com ângulos retos entre os mesmo formando um hexaedro. Os hexaedritos não exibem o padrão de Widmanstätten como a maioria dos outros sideritos e sim pequenas linhas finas denominadas “Linhas de Neumman”, em homenagem ao seu descobridor Franz Ernst Neumann e identificou essas linhas em 1848. Estas “Linhas de Neumman” são indicativas da deformação por choque no corpo parental. O grupo químico relacionado ao hexaedrito é o IIAB.
Ataxitos (D): Raro tipo de siderito que não apresenta nenhuma estrutura óbvia quando tratados com ácido nítrico. O termo ataxito vem do Grego “sem estrutura”. É formado essencialmente com a liga rica em níquel tenita. É o tipo de siderito mais raro e nenhuma das quedas observadas até hoje de sideritos é do tipo Ataxito.