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Quanto vale um meteorito?

 

Recentemente o interesse pelos meteoritos no Brasil aumentou muito. O principal motivo foi a grande divulgação da mídia em relação ao meteorito que caiu na  região noroeste do RJ entre Varre-Sai e Guaçui.

Erroneamente a mídia criou uma supervalorização em relação a esse tipo de material, e esse foi o grande motivo que levou a população a querer encontrar meteoritos. Isso é muito bom, pois novos meteoritos poderão ser descobertos. A parte ruim é que se alguém realmente encontrar algum vai se decepcionar com o preço que vai conseguir vender no mercado de meteoritos. Ainda mais se estiver esperando receber uma fortuna por ele. Esse aumento repentino no interesse da população eu consegui perceber nitidamente através do meu site. De algumas consultas semanais sobre identificação de meteoritos esse número aumentou muito para várias consultas diárias.

Meteoritos podem ter um grande valor, seja cientifico como econômico. Esse valor econômico é devido principalmente a existência de colecionadores de meteoritos. Apesar de no Brasil o colecionismo de meteoritos ser praticamente inexistente com alguns poucos sobreviventes, há milhares de colecionadores ao redor do mundo, principalmente nos EUA e Europa. A grande questão em relação a supervalorização dos meteoritos é que a grande maioria não tem um grande valor econômico como se pensa. Hoje é possível comprar meteoritos encontrados no Nordeste Africano ou meteorito NWA por um preço muito baixos.

Logicamente há muitos meteoritos que custam muito caro. Um meteorito lunar, por exemplo, chega a custar USD 1000,00 por grama! E ainda há outros que valem ainda mais.

São muitos os fatores que influenciam no preço desse material no mercado. Vou enumerar alguns desses fatores abaixo e como os mesmos influenciam no preço.

1)      Tipo. Por exemplo, um meteorito lunar ou marciano é muito mais valioso que um condrito ordinário. Um condrito ordinário é o tipo mais comum entre todos os meteoritos e por isso a sua disponibilidade no mercado é muito maior. O meteorito de Varre-Sai/Guaçui é um meteorito ordinário;

2)      Disponibilidade do material: Em uma queda ou achado é comum encontrar vários individuais numa região que chamamos de elipse de espalhamento. Essa quantidade de material recuperado pode variar muito. O preço desse material, como em qualquer coisa, é inversamente proporcional à quantidade de material recuperado e disponível. Disponível porque não adianta somente o material ter sido encontrado, mas precisa estar disponível no mercado. Por exemplo, um fragmento metálico do Bendegó é uma raridade, apesar de cerca de 5 toneladas estar disponível no Museu Nacional (RJ). Um outro exemplo é o famoso meteorito Campo de Cielo encontrado na Argentina. Devido a grande quantidade desse material disponível no mercado, este se tornou um dos meteoritos ferroso (sideritos) mais baratos existentes;

3)      É uma queda ou achado? Meteoritos provenientes de quedas costumam ser muito mais valorizado do que um achado (não houve queda presenciada). Um fator que atua também na valorização do material é a existência de vídeos realizados do meteoro (efeito luminoso e sonoro), a quantidade de testemunhas e a localidade onde passou o bolibo.

4)      O Meteorito é classificado? Para o mercado valorizar um meteorito esse precisa ser devidamente qualificado e sua origem extraterrestre atestada. Depois de feita a analise em laboratório o mesmo pode ser submetido ao Meteoritical Society para ser oficialmente aceito pela comunidade cientifica e receber um nome oficial. O Brasil não analisa meteoritos e pelo que sei os pesquisadores aqui mandam as amostras para laboratórios nos EUA.

5)      Localidade onde foi achado o meteorito. Por exemplo, meteoritos que costuma ser encontrados nos EUA ou Europa são muito mais valorizados do que os achados na África. Uma vez que a grande maioria dos colecionadores está em paises do primeiro mundo. Esses dão preferência por material encontrado onde moram.

6)      Contribuição Cientifica: Quando algum meteorito fez alguma contribuição importante para a ciência isso reflete no valor para o colecionador.

7)      Importância Histórica: Muitos meteoritos caíram e foram guardados em épocas que mesmo a origem dos mesmos ainda não era considerada extraterrestre. O primeiro registro de queda é o famoso meteorito Ensisheim que caiu na França no século XV possuindo um grande valor para o colecionador.

8)      Meteoritos que atingem coisas: O valor de um meteorito para o colecionador se torna muito maior caso o mesmo tenha atingido alguma coisa durante a queda. Dentre as possíveis “coisas” podemos citar: carros, animais, telhados, caixa de correis e até mesmo pessoas. Não há registro de morte de uma pessoa por meteorito. Somente ferimentos causados. Um bom exemplo ocorreu em 1992 quando um meteorito, chamado Peekskill, atingiu um carro velho que valia $500. O carro foi vendido avariado pelo meteorito posteriormente por $10.000,00.

9)      Meteoritos que formam crateras: A grande maioria dos meteoritos é pequena e perde toda a velocidade sideral (cerca de 70km/s) durante a reentrada. A uma certa altitude o movimento sideral acaba restando somente a horizontal (queda livre). Essa velocidade ao chegar ao solo não é suficiente para formar uma cratera de impacto gerando somente uma cavidade no solo que não pode ser considerada uma cratera de impacto. Um famoso caso recente é o meteorito de Carancas que caiu no Peru há poucos anos formando uma cratera. Esse meteorito atingiu um valor de mercado de USD 100,00/g.

10)  Estado de conservação: Meteoritos que caíram e logo foram recolhidos mantém o mesmo aspecto de quando atingiram o solo. Exibindo uma crosta de fusão preta e bem característica. Porém, a grande maioria dos condritos foi recolhida após muitos anos da queda e já sofreram a ação do ambiente terrestre. A crosta escura fica cada vez marrom e a sua diferenciação para uma rocha terrestre fica cada vez mais difícil. Meteoritos que foram recolhidos mantendo imaculado o aspecto externo da crosta de fusão atingem um bom valor no mercado de meteoritos. O menor valor que geralmente se consegue é de cerca de USD 3,00/g no mercado externo para esse tipo de material.

11)  Exploração da mídia: Esse fator atua como se fosse uma propaganda de venda para o meteorito. Como não há praticamente colecionadores no Brasil, essa propaganda não tem muito efeito aqui no Brasil. Mas nos EUA onde há um grande número de colecionadores a exploração da mídia sobre uma queda causa uma grande procura pelo material. Um bom exemplo um meteorito que caiu em Wiscosim onde havia mais de 40 caçadores de meteoritos na região e o preço do material chegou a USD 70,00/g.

12)  Meteoritos orientados: raramente algum meteorito adquire um formato aerodinâmico originado no processo de reentrada. Esses meteoritos são chamados de orientados e adquirem um grande valor devido a essa característica. Formam um dos grupos mais belos de meteoritos.

 

Achou um meteorito? Envie fotos para o e-mail moutinho@gmail.com ou whatsapp 12991775009 (apenas mensagem!)

copyright@ André Moutinho – http://www.meteorito.com.br