Tassédet 004
Fatia Cheia 9.31g
- País: Niger
- Ano achado: 2016
- Classificação: Condrito H5-impact melt
- Massa total: 405 kg
- Queda observada: Não
Tassédet 004
Descoberto nas vastas planícies próximas a Agadez, no coração do Níger, o meteorito conhecido comercialmente como Tchifaddine — e oficialmente classificado no Boletim Meteorítico como Tassédet 004 — representa uma adição extraordinária e rara à ciência planetária: trata-se da sétima brecha de derretimento de impacto H já identificada, um tipo extremamente incomum de meteorito com uma história violenta e fascinante.
O que torna o Tchifaddine tão especial é sua origem como um condrito H que passou por um derretimento total ou quase total causado por um impacto catastrófico. Ao contrário dos condritos ordinários comuns, que são agregados relativamente intactos de poeira e minerais primitivos do Sistema Solar, os meteoritos de derretimento de impacto como este foram submetidos a altíssimas pressões e temperaturas, ao ponto de fundirem e recristalizarem parcialmente, preservando em sua estrutura evidências do choque extremo que os transformou.
Visualmente, o Tchifaddine é impressionante. Muitos exemplares apresentam uma forma quase esférica, lembrando pequenas cápsulas escuras, envoltas por uma crosta de fusão rica, espessa e negra, que brilha suavemente sob a luz — um vestígio do seu abrasador voo pela atmosfera terrestre. Mas o verdadeiro espetáculo está no seu interior: ao ser cortado e polido, ele revela uma matriz rica em partículas metálicas de ferro-níquel, com veios reluzentes, bolhas de metal e zonas de recristalização, como se fosse um mosaico de ferro líquido que congelou em pleno caos.
Esses traços não são apenas decorativos — eles narram um capítulo dramático da história do meteorito. Acredita-se que o corpo parental do Tchifaddine, possivelmente um grande asteroide condrítico do tipo H, tenha sofrido um impacto de alta energia, tão violento que parte de sua crosta superficial fundiu-se completamente. Esse material fundido, enriquecido por metais pesados e minerais refratários, foi ejetado ao espaço, solidificou-se rapidamente em microgravidade e, muito tempo depois, cruzou o caminho da Terra.
Meteoritos como o Tchifaddine / Tassédet 004 são raríssimos e altamente valorizados tanto pela comunidade científica quanto por colecionadores exigentes. Eles oferecem insights valiosos sobre os processos de impacto e transformação mineral no início do Sistema Solar e são registros diretos de eventos que moldaram asteroides e, por consequência, a própria evolução planetária.
Além de seu valor científico, o Tchifaddine é uma peça de beleza crua e cósmica: sua forma, sua textura, suas partículas metálicas cintilantes, e sua crosta vitrificada profunda fazem dele um verdadeiro fóssil de fogo — um fragmento do caos celeste que se transformou, por obra do acaso, em uma cápsula de história sideral. Para quem busca peças raras, autênticas e esteticamente marcantes, o Tchifaddine é simplesmente imperdível.
Tchifaddine (Tassédet 004) Fatia Cheia 7.39g Niger
Tchifaddine (Tassédet 004) Fatia Cheia 7.39g
Tchifaddine (Tassédet 004) Fatia 2.26g Niger
Tchifaddine (Tassédet 004) Fatia 2.26g
Tchifaddine (Tassédet 004) Fatia 1.59g Niger
Tchifaddine (Tassédet 004) Fatia 1.59g
Condrito
Representam o tipo mais comum de meteoritos e guardam em seu interior informações que ajudam os cientistas a desvendar a formação do sistema solar. O termo “condrito” é originado de “côndrulos”, que correspondem a pequenas formações em forma de grânulos envoltos em uma matriz sólida. Esses grânulos representam a matéria primordial da nuvem de gás que originou o sistema solar com todos os planetas e o sol. O material contido nesses meteoritos é praticamente idêntico ao material encontrado no sol com exceção dos materiais leves como hidrogênio e hélio. Assim, os meteoritos condritos são de fundamental importância para a ciência, pois permite abrir uma janela ao passado de 4.5 bilhões de anos e analisar as substâncias e estruturas primitivas presentes nesse estágio de evolução do sistema solar.
Classificação Petrológica dos Condritos
| Ausentes 1 |
Esparsos 2 |
Abundantes Distintos 3 |
4 | Indistintos 5 |
6 | ||
|
Ordinários(OC) |
H |
|
|
||||
|
L |
|
|
|||||
|
LL |
|
|
|||||
|
Carbonaceos (C) |
CI |
|
|
|
|
|
|
|
CM |
|
|
|
|
|
|
|
|
CR |
|
|
|
|
|
|
|
|
CO |
|
|
|
|
|
|
|
|
CV |
|
|
|
|
|
|
|
|
CK |
|
|
|
|
|
|
|
|
Rumuritos (R ) |
R |
|
|
|
|
|
|
|
Estantitos (E) |
EH |
|
|
|
|
|
|
|
EL |
|
|
|
|
|
|
|
Condritos Ordinários (OC)
Condritos Enstatitos (E)
Condritos Rumurutitos (R)
Condritos Carbonáceos (C)
Teoria de formação dos côndrulos:
A teoria mais aceita diz que os côndrulos seriam a poeira que ficava mais próxima ao Sol e que, quando ele começou a produzir calor acabou derretendo e formou pequenas gotículas que depois foram sopradas pelo vento solar e acabaram se resfriando e se misturando com o resto da poeira e com os flocos de metal (que originaram a matriz dos meteoritos). Outra teoria mais recente diz que o aquecimento também pode ter ocorrido devido a indução de correntes elétricas na poeira (que tinha alta resistência e por isso aqueciam) devido ao forte campo magnético do Sol. Mais estudos estão sendo feitos, mas é possivel que ambos os efeitos possam ter ocorrido.